Justiça manda revisar caso de PMs que mataram homem em surto em Porto Alegre; MP solicitou arquivamento
VÍDEO de câmera corporal mostra ação de PMs que mataram homem com esquizofrenia no RS A Justiça determinou revisão do pedido de arquivamento no caso que a...
VÍDEO de câmera corporal mostra ação de PMs que mataram homem com esquizofrenia no RS A Justiça determinou revisão do pedido de arquivamento no caso que apurou a morte de Herick Cristian da Silva Vargas, em setembro de 2025, em Porto Alegre, durante uma abordagem policial. A decisão, desta terça-feira (6), é assinada pela juíza Anna Alice da Rosa Schuch. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp O Ministério Público havia solicitado o arquivamento, em dezembro, sob a alegação de que os PMs envolvidos na ocorrência agiram em legítima defesa. No entanto, a magistrada entende que restam dúvidas sobre a versão apresentada pelos agentes. A juíza destacou como pontos de atenção as imagens das câmeras corporais - que mostram a vítima sendo imobilizada por familiares antes dos disparos - , áudios que sugerem predisposição ao uso da força e a dinâmica dos tiros, à curta distância e em regiões vitais, mesmo com o homem desarmado. Por fim, a magistrada ressalta que para o arquivamento por legítima defesa é necessário que não haja controvérsias sobre os fatos, "o que não se verifica neste caso". O g1 entrou em contato com o MP, que não retornou até a mais recente atualização desta reportagem. Relembre Imagens da câmera corporal de um policial militar obtidas pela RBS TV mostram a ação que terminou com a morte de Herick Cristian da Silva Vargas, aos 29 anos. As gravações foram cedidas pelo advogado da família e contêm cenas fortes. (veja o vídeo acima) O jovem tinha diagnóstico de esquizofrenia e estaria em surto quando foi baleado. Em novembro, a Polícia Civil concluiu que os PMs agiram em legítima defesa. Com a definição, não houve indiciamento dos policiais militares envolvidos no fato. A conclusão acompanhou o entendimento da Corregedoria da Brigada Militar (BM), que havia aberto uma apuração paralela. Segundo a corporação, houve tentativa de diálogo, uso de arma de choque e, depois, quatro disparos com arma de fogo. De acordo com o advogado da família de Herick, o jovem já havia sido contido pelos familiares quando os agentes teriam ordenado que os mesmos soltassem o homem e, sem dar qualquer comando de rendição, teriam efetuado quatro disparos fatais. O advogado sustenta que a conduta dos policiais não se enquadra em legítima defesa, pois não havia agressão atual ou iminente no momento dos tiros. Vídeo de câmera corporal Ação da Brigada Militar terminou com a morte de Herick Cristian da Silva Vargas, aos 29 anos Reprodução Os vídeos registraram a conversa dos policiais ainda na viatura. Ao chegar à casa, os PMs encontram Herick sentado no chão, ao lado da mãe. Eles conversam por cerca de dois minutos e pedem que ele permaneça sentado. Em seguida, Herick se levanta, questiona sobre a arma e fala para o policial: "atira em mim, atira em mim". Ele é atingido por uma arma de choque e cai no chão. A mãe e a tia tentam segurá-lo, mas os agentes pedem que elas se afastem. Logo depois, ocorrem os disparos com arma de fogo. Após os tiros, a mãe desabafa: "A gente chamou vocês pra ajudar, não pra matar meu filho". O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou minutos depois, mas Herick morreu em casa. A BM relata que foi a mãe de Herick quem acionou a polícia. Ela afirmou que o filho estava agressivo após fazer uso de cocaína. A ocorrência seria de violência doméstica. "O laudo toxicológico, lavrado pelo órgão oficial de perícia do Estado, constatou a ingestão de cocaína em concentração extremamente elevada, o que somado a crise de esquizofrenia, da qual o sr. H.C.S.V era portador, resultou em intenso descontrole, infelizmente não sendo possível contê-lo de outra forma dentro das circunstâncias apresentadas", afirma a BM, em nota. Veja íntegra da nota abaixo. Herick Cristian da Silva Vargas, morto baleado pela polícia militar Arquivo pessoal VÍDEOS: Tudo sobre o RS